Cosméticos,  Lendo o Rótulo

Parabenos – Um vilão presente nos cosméticos?

Os cosméticos estão presentes no nosso cotidiano cada vez mais. A indústria cosmética se inova gradativamente e nos proporciona uma ampla variedade de produtos, amplificando a tecnologia e as pesquisas progressivamente. Buscamos nos cosméticos auxílio contra os danos que o ambiente pode nos causar, beleza, proteção e saúde. Contudo, há componentes presentes nos cosméticos que podem não são benéficos a nossa saúde, por isso é muito importante olhar a fórmula presente no rótulo e pesquisar sobre o produto desejado.

Você pode estar pensando que seja complicado e chato olhar as fórmulas nos rótulos dos produtos, não é? Afinal, são muitos nomes complexos e na maioria das vezes aparecem escritos em nomenclatura padrão. No entanto, lhe garanto que não é tão difícil quanto aparenta, é mais questão de hábito. Não dá para aprender todos os nomes de uma vez, mas nada como assimilar aos poucos. Haverá muitas publicações nesse site abordando o modo de avaliar as fórmulas, como identificar os melhores cosméticos e a encontrar as substâncias maléficas. Como foi dito, será abordado o parabeno. Então, entenda a sua função, onde pode ser encontrado e se pode pode prejudicar a sua saúde.

Os parabenos começaram a ser usados nas preparações farmacêuticas em meados de 1920 e desde então, estão empregados em uma ampla variedade de produtos.  São obtidos pela reação de esterificação do ácido p-hidroxibenzóico com álcool em meio ácido. Os tipos mais comuns são o metilparabenos, propilparabeno, etilparabeno e o butilparabeno (methylparaben | ethylparaben | propylparaben | butylparaben).

Como parabenos aparecem na fórmula.

Os parabenos são uma classe de compostos químicos cuja função é de conservante, oferecendo proteção contra micróbios e outros microrganismos que comprometem a integridade do produto. De acordo com o FDA (Food and Drugs Administration), os parabenos podem estar contidos em maquiagens, desodorantes, hidratantes, loções, itens para cabelo, tinta para tatuagens, cremes de barbear, esmaltes, óleos e loções infantis, produtos de limpeza, perfumes e até em alimentos. Seu custo barato de produção é o que faz ser tão atrativo para a indústria. Durante muito tempo se pensou que esse composto químico não possuia características tóxicas, porém, ultimamente a grande polêmica é se parabenos são ou não carcinogênicos (causam câncer).

Um dos estudos mais famosos foi feito por pesquisadores da Universidade de Reading, popularizou os riscos que os parabenos podem causar, foi publicado em 2004, no Journal of Applied Toxicology,correlacionando o desenvolvimento de câncer de mama com os parabenos. Nesse estudo foram analisadas 20 amostras de tecidos cancerígenos retirados da mama e constatou que todas as amostras continham vestígios de parabeno. Entre 2005 e 2008, os mesmos pesquisadores do estudo de 2004, ampliaram o estudo coletando amostras de 40 pessoas com câncer de mama. Eles dividiram a região do peito em quatro partes, indo das axilas até o esterno. Eles quantificaram que 158/160 (99%) das amostras de tecido continham um ou mais ésteres de parabenos e 96/160 (60%), foram encontrados os cinco ésteres. Dessa forma, todas as pessoas participantes da pesquisa tinham parabenos acumulados na região do peito. A pesquisa não conseguiu identificar da onde esses parabenos eram provenientes.

Atualmente, tanto a Sociedade Americana de Câncer (ACS), quanto a Agência Internacional pelo Estudo do Câncer (IARC), que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), alegam a inexistência de provas contundentes que relacionem parabenos com o desenvolvimento de câncer.

Contudo, no próprio site da ACS, está reportado que a grande preocupação envolvendo parabenos é devido a muitos estudos apontarem as suas propriedades estrogênicas. O estrogênio é um hormônio feminino que causa nas células da mama (normais e cancerosas) o crescimento e divisão. Quando algumas condições aumentam a exposição do corpo ao estrogênio foram associadas a um risco de aumento de câncer de mama. A ACS afirma que os estrogênios produzidos pelo corpo humano são centenas a milhares de vezes mais fortes que as propriedades estrogênicas dos parabenos que são mais fracas. Dessa forma, estrogênios naturais ou aqueles usados em reposição hormonal, são muito mais propensos a desenvolver câncer de mama.

Os parabenos também são considerados disruptores endócrinos, ou seja, são substâncias químicas que podem interferir no sistema endócrino de humanos e outros animais e com isso, afetar a saúde, crescimento e reprodução.

Associado aos parabenos, também estão desenvolvimento de alergias na pele, como a dermatite de contato e envelhecimento precoce. Um estudo feito com o metil parabeno, revelou que este pode causar danos na pele envolvendo carcinogênese através da ação combinada de irradiação solar e esterase da pele.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite o uso de parabenos em cosmético estabelecendo como limite as seguintes concentrações máximas: 0,4% de cada parabeno e 0,8% de parabeno total.

Dessa forma, a escolha de consumir ou não produtos contendo parabenos, é exclusiva do consumidor. Obviamente, é mais prudente não arriscar, no mercado há produtos livre de parabenos, assim, é sempre importante ficar atento ao rótulo.

Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida é só perguntar.

Obrigada!

Se quiser ler mais sobre os ingredientes que devem ser evitados e usados com cautela, leia aqui.

Referências:

Você conhece os problemas dos parabenoseCycle

Parabens: A Review of Epidemiology, Structure, Allergenicity, and Hormonal Properties – Medscape

Combined Activation of Methyl Paraben by Light Irradiation and Esterase Metabolism toward Oxidative DNA Damage – ACS Publications

Antiperspirants and Breast Cancer Risk – ACS

Measurement of paraben concentrations in human breast tissue at serial locations across the breast from axilla to sternum – Wiley Online Library

Endocrine disrupters and human health: could oestrogenic chemicals in body care cosmetics adversely affect breast cancer incidence in women? – Wiley Online Library

Desreguladores endócrinos no meio ambiente: efeitos e conseqüências – SciELO

 

 

 

Um comentário

  • Johne824

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